O QUE ME MOTIVOU A LER TÃO CEDO!
Eu lembro que
em Brasília, aos 4 anos e meio, fui levado, por minha mãe, a uma pequena escola
de uma senhora chamada profª Maria das Neves. Da nossa casa no Taguatinga,
bastava atravessar a rua, muito larga e poeirenta.
Ao chegar lá, havia uma grande mesa e muitas
crianças assentadas em bancos ao redor, na sala da casa da profª Maria da Neves
que tinha uma fama de muito brava, mas não me importei com isso. Ela ia impondo
a mão nas mãos de cada criança para escrever consoante sua coordenação,
pequenas frases. Ela lia as frases, fazendo-nos olhar para o pequeno caderno e
repetir.
Num certo momento, ela foi para o interior da casa
e eu sentia muita saudade de minha mãe e de meu irmão e me levantei ouvindo os
garotos a dizerem que eu ia fugir e que deveria avisar a prof.ª. Não hesitei e
abri o trinco da meia porta e sai em disparada atravessando a rua sem me
importar com o trânsito de carros em alta velocidade, ouvi o som das buzinas e
cheguei até o meu portão e relutei com minha mãe dizendo que não queria voltar.
Certo dia, observando da cerca, um garoto que
passava esporadicamente com gibis e livros nas mãos, tive grande desejo de ter
um livro. Minha mãe o chamou e perguntou se ele lia muitos livros e ele deveras
afirmou e percebendo o meu interesse me deu um gibi de um super-herói do mar,
com o título “O princípe Namour”, eu não lembro muito bem o nome do herói, mas
eu observava as figuras todos os dias, até que comecei a observá-las em ordem,
procurando entender a história. Um dia comecei aos cinco anos a juntar as
sílabas e a ler o gibi e, todos os dias eu percebia que havia repetição de
sílabas causando certa prática que aperfeiçoava minhas observações e, assim li
aos cinco anos todo aquele gibi.
Meu Pai percebeu que eu já lia, propôs-me
então, a leitura em um lugar sem figuras, este lugar era numa bíblia já
antiga e de tradução do padre Mattos Soares. Eu não tinha figuras para direcionar
minhas imaginações, então, eu comecei a imaginar, até ler livros complexos como o
livro apócrifo aceito pela igreja católica, o livro da sabedoria.
Destarte, inacabadamente, deixo minhas pinceladas
que revelam em suma, minha história de aprendizagem no letramento, só para
começar a contar do Haroldo que fugiu da escola no seu primeiro dia...
Minha história de vida leitora;
Prof. José Haroldo Siqueira Sousa – 06 de junho de
2013.